quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Não somos a opinião do outro


  Nós estamos em constante busca pela aceitação do outro, como se nosso valor estivesse na opinião alheia. É um clichê chato esse assunto de se amar, mas a realidade é que não sabemos fazer isso. E quando o fazemos, fazemos de forma errada, de uma maneira arrogante, nos colocando como superiores.
  É nosso dever saber de nossas qualidades e valorizá-las, não tem nada mal nisso, até porque nossos defeitos geralmente estão na ponta da língua. Mas o que acontece muitas vezes é que nossa qualidade só se torna real se percebida e pontuada por alguém. Quantas vezes, achamos que em uma relação, a pessoa não está dando atenção o suficiente ou não estamos sendo apreciados o suficiente? E o que a gente faz? Cobra atenção, elogios, investimento porque, no fundo, queremos validação do outro. A questão aqui é: todos nós temos expectativas, mas não é obrigação do outro atendê-las, assim como não é nossa obrigação aceitar algo que não é o suficiente pra gente. Quero dizer que o nosso papel não é ficar cobrando por uma confirmação  porque isso é cansativo, desgastante e abaixa nossa autoestima. Nessas horas temos que saber o nosso valor e que tipo de relações queremos cultivar, sejam de qual tipo for. E se não nos faz sentir bem, é porque está nos fazendo mal, não existe meio termo.
  É muito frustrante quando contamos algum plano nosso para alguém e a pessoa joga um balde de água fria porque ela não acha tão legal. Parece que imediatamente aquilo se torna menos incrível pra gente também. Às vezes, as pessoas se entusiasmam por coisas que não fazem sentido pra gente. É nessa hora que devemos tomar cuidado para não fazermos com que elas se sintam mal por aquilo que as fazem sentir bem.
  A nossa foto não deixa de ser bonita porque não teve tanta curtida, nosso cabelo não deixa de ser bonito porque não está no padrão social, nossos sonhos não deixam de serem incríveis porque ele só faz sentido pra gente. Nem todo mundo vai nos apoiar sempre, nem todo mundo vai entender, mas tudo bem.
  As pessoas são diferentes, não faz sentido nos compararmos uns com os outros já que sentimos e agimos de formas distintas. Não somos menos que ninguém porque nosso defeito é diferente do outro. Mas também não somos mais por achar que nossa visão de mundo é a correta.

 Muitas vezes nos diminuímos para caber em situações e pessoas que naturalmente não caberíamos. Que possamos aprender com o diferente sem deixar de nos valorizar por nossas qualidades. Que possamos olhar com empatia para o outro para que possamos o enxergar. Porque quando olhamos a partir da nossa perspectiva, acabamos nos vendo em um espelho de coisas que faríamos ou não se tivéssemos aquela vida. A vida do outro não é sobre a gente. Assim como a nossa não é sobre o outro. É necessário escutar e aprender com as pessoas, é importante levar em conta opiniões que visam nos ajudar, mas que tenhamos a sabedoria de entender que uma escolha diferente não é uma escolha errada para que nossa vida não seja, apenas, um reflexo da opinião alheia.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Não tente salvar um peixe de um afogamento


Eu sou muito a favor de conselhos gratuitos porque acho que, às vezes, uma situação por mais óbvia que possa parecer não é enxergada pela outra pessoa. Porém, há uma linha tênue para que não desrespeitemos o direito de uma pessoa vivenciar uma situação, até mesmo insistir num erro, por mais absurdo que possa parecer.
As paixões e os sentimentos de alguém são muito importes e muito particulares, não é legal quando nós os menosprezamos porque aquilo não faz sentido pra gente. Algo que possa ser extremamente banal pode significar o mundo para alguém. 
Às vezes não entendemos o motivo do outro estar chateado porque para nós aquilo não significa nada.  Particularmente, acho que essa é uma das lições mais difíceis de serem aprendidas. Nem sempre temos que fazer algo baseado no quão estamos certos ou não, mas em quanto uma atitude como um pedido de desculpa ou um incentivo de uma ideia vai fazer bem para quem a gente gosta. 
Quantas vezes já ouvimos ou passamos por aquela situação em que a gente corta o cabelo e vem alguém falar "nossa, preferia seu cabelo antes" ou estamos com uma espinha no rosto e alguém diz "você ta com uma espinha grande no rosto, né?" ou uma das mais famosas "você deu uma engordadinha"?  Isso eu chamo dos heróis das constatações óbvias, a pessoa sabe daquilo que a gente está pontuando, mas ela não pode fazer nada sobre isso ou ela, simplesmente, não quer, de qualquer forma não é nossa responsabilidade dizer o óbvio. Vocês podem até brigar comigo e reclamar que hoje não pode falar nada ou vocês podem fazer igual ao Eduardo (aquele da música do Legião sabe?) achar estranho, mas melhor não comentar.
Uma vez eu li que um macaco matou um peixe porque o tirou da água achando que estava o salvando de um afogamento. Somos mestres em apontar defeitos e resolver problemas que não nos pertence. Queremos conhecer mais a vida do outro do que ele mesmo. Não estou falando isso pra dizer quão mal nós somos, mas pra lembrar que a melhor das atitudes pode gerar consequências negativas na vida de alguém. Nenhuma vida vem com manual de instrução, assim como as regras que funcionam ou funcionaram na nossa vida pode não valer pra outro alguém. Aqui vale a máxima “cada um lê com os olhos que tem e interpreta a partir de onde os pés pisam”. 
Devemos lembrar que as lições que aprendemos na vida vêm de experiências pessoais, às vezes transferíveis, mas às vezes não.A verdade é que parece que queremos que as outras pessoas vivam de acordo como vivemos nossa própria vida. Há uma balança social de pecado em que o erro do outro é sempre mais grave e menos perdoável que o nosso. Nós, como sociedade, e principalmente como seres humanos, precisamos nos colocar no lugar do outro.
É difícil identificar o momento de expor ou não uma opinião para ajudar ou criticar alguém. Cada pessoa é um mar de emoções. É muita arrogância achar que a gente conhece cada gota desse oceano que é denso e profundo. Antes de julgarmos uma situação que alguém vive ou está passando, devemos lembrar que o que pra gente parece ser um afogamento talvez seja, na verdade, a fonte de ar.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Histórias, nossas histórias





Acredito que uma das maiores angústias da vida é não ter respostas para as nossas perguntas. Queremos controlar cada movimento, saber cada passo seguinte. Porém, obviamente, nem todos os questionamentos possuem respostas e, às vezes, apenas o que precisamos são das próprias perguntas.
            Um dia, durante um intercâmbio, me perdi e minha única alternativa era “me achar”. Quando eu conto que me perdi sozinha à noite em outro país pra alguém, vejo no olhar das pessoas o medo de imaginar a situação. Quando alguém nos conta que se perdeu à noite numa cidade desconhecida, imaginamos as pessoas boas que ela encontrou no caminho ou os lugares incríveis que ela descobriu? Provavelmente não, pois nossa mente estará focada na angústia que sentiríamos para achar o caminho de volta caso isso acontecesse com a gente.
É difícil entender a moral de uma história sem ler o livro. Podemos até saber pela boca de alguém que leu, mas isso pode nos fazer perder partes importantes que dão sentido a história.
A gente se conhece mais se perdendo, errando e aprendendo, ouvindo e falando. Agora eu sei que o caminho pode ser tão bonito quanto a chegada, se não for mais. Mas só vamos conseguir enxergar isso se estivermos dispostos a aproveitar o enredo, sem se importar apenas com o final. A diferença da história da nossa vida e a de um livro comum é que na nossa história, a todo o momento, podemos alterar o rumo dos capítulos, se quisermos. A vida nos questiona o tempo inteiro e, hoje, me arrisco a dizer que, talvez, as perguntas sejam mais importantes que as respostas. São elas que nos motivam, enquanto nossas certezas nos acomodam na nossa zona de conforto.
Histórias nem sempre terão finais felizes, mas devemos evitar de nos envolvermos com o enredo por medo do final? Eu, sinceramente, espero que não.

domingo, 22 de maio de 2016

10 coisas que aprendi com 23 anos








1.    Tudo bem mudar de opinião

Quando somos adolescentes é meio tabu mudar de opinião, quando acontece você é muito julgado por isso. O “correto” era você ter um ponto de vista e defende-lo até o fim seja sobre pessoas, coisas ou experiências. Eu tinha mania de achar (tinha certeza) que certas coisas eu nunca iria fazer ou nunca iria acontecer comigo e adivinha? Eu fiz e não deixei de ser eu mesma por isso. A gente tende a mudar de opinião conforme vamos vivendo a vida e tudo bem acontecer isso.


2.    Nunca associe uma música/banda/cantor que você gosta à uma pessoa

Quando somos mais novos achamos super fofo ter uma música que lembre alguém, mas ao passar do tempo pode ser que a gente não queira mais lembrar dessa pessoa, aí toda vez que você ouvir a música, involuntariamente, esse alguém virá na sua cabeça e nem sempre será uma boa lembrança.

 
3.    Nosso papel não é consertar pessoas

Todo mundo tem defeito, eu tenho e você que está lendo esse texto também. É certo que alguns defeitos são mais nocivos que outros, mas, às vezes, temos apenas que aceitar conviver com as peculiaridades de alguém ou deixar pra lá. Isso é uma forma de respeito com o outro e com você mesmo.


4.    Experimente novas comidas

Eu sou do tipo de pessoa que quando gosta de algo eu fico obcecada e só quero comer isso. Mas de alguns anos para cá, venho me abrindo às novas experiências gastronômicas e tem sido ótimo. Guacamole é uma coisa que eu achava impossível de gostar, fui experimentar e adorei. Até salada eu já tenho a minha preferida e olha que odeio salada. Experimenta! Quem sabe você não descobre um novo prato favorito?


5.    Escolha suas batalhas

Eu acredito que essa seja uma das coisas mais difíceis de se aprender a lidar. Principalmente em época de debates acalorados sobre política. É difícil ver o festival de julgamentos e equívocos que acontecem na internet sem tomar partido. Às vezes você é chamado de imbecil e até de vagabundo indiretamente por pessoas que se acham donas da verdade e não respeitam quem pensa diferente, mas que no outro dia está sorrindo e falando com você como se nada tivesse acontecido. É nessa hora que a gente deve apenas acenar e sorrir. O que eu quero dizer é que certas coisas não valem a pena, já é uma batalha perdida. Nesse caso, por exemplo, você vai gastar energia num debate que não vai trazer enriquecimento intelectual para ninguém porque todos estão a fim de ganhar, não de aprender ou de olhar de uma outra perspectiva. É aquele ditado “Às vezes, é melhor estar em paz do que estar certo”.


6.    As palavras são poderosas

Cuidado com o que você fala. Certas coisas depois de serem ditas não têm volta. Uma coisa é o que você fala e outra coisa é o que entendem, mas isso não tira a responsabilidade do que é dito. Dê sua opinião quando pedirem. Aconselhe quando sentir a necessidade, mas não determine o que alguém deve ou não fazer. O que falamos em voz alta tem muita força. Você pode atingir/influenciar/magoar alguém e essa nem ser sua intenção.


7.    Se permita sofrer

Não adianta depois de uma decepção ou fracasso você sair desgovernado pelas baladas da vida como se nada tivesse acontecido. Curtir o período de luto é necessário para que, quando você estiver pronto para seguir em frente, isso aconteça de maneira verdadeira. It´s ok not to be ok, mas entenda que isso deve ser apenas uma fase.


8.    Ouça seus pais

Eles são as pessoas que mais te amam e se preocupam com você. Ouvi-los vai evitar muito perrengue. A vida não é tão carinhosa na hora de ensinar uma lição quanto eles, acredite. Então se sua mãe te falar para levar um casaco que vai esfriar, leva!


9.    Não duvide tanto de você mesmo

Nem sempre todo mundo vai concordar com suas ideias, com suas atitudes e seus planos, mas não quer dizer que você está necessariamente errado. Se você tem um sonho que acha incrível, não deixe ele perder a graça só porque outras pessoas não acham. Duvide dos outros, não de você.


10. Aprenda com a experiência alheia

Acho fundamental aprendemos com nossas próprias experiências. Mas, às vezes, o que precisamos aprender nem sempre está presente nas nossas experiências de vida. Por isso leia livros, veja filmes e séries, converse com pessoas. Pode ser que você encontre respostas para perguntas que não tinham nem passado pela sua cabeça

 

 

sábado, 2 de abril de 2016

Se me permite uma opinião



Eu acho que desde que virei adolescente um certo dilema ronda minha vida: quando estamos maduros o suficiente para tomarmos uma decisão sem precisar de ajuda para tal coisa. Isso porque eu tinha (e ainda tenho) vários amigos que acreditavam que cada um deve fazer o que quer porque “fulano já está bem grandinho” ou que “más influências” não são desculpas porque, no final das contas, "cada um faz o que quer". Realmente, ninguém nos obriga a nada. Mas decidimos quão bom ou ruim é alguma coisa baseado em como nós e as pessoas ao nosso redor vivem a vida, pois elas ajudam a construir nossa visão de mundo.
Toda vez que eu achava que uma pessoa que eu gostava estava tomando uma atitude errada, eu sentia uma necessidade grande de falar meu ponto de vista sobre aquilo. Se depois disso, ela continuasse pelo mesmo caminho eu me sentia mais leve porque só assim eu acreditava que, realmente, ela estava decidindo baseada em sua própria opinião. Também acredito que liberdade é poder de escolha e só temos esse poder, se a gente conhece diferentes realidades e visões de mundo antes de seguir um determinado caminho.
Às vezes, por mais madura e experiente uma pessoa seja e por mais óbvias as coisas pareçam, tudo o que precisamos é de alguém que coloque uma situação de forma clara. Uma frase ou atitude de uma pessoa pode ser o turning point para a vida de outra. Nossas atitudes e pensamento, mesmo que sem querer, influenciam pessoas até quando não percebemos. Sejamos então, o impacto positivo na vida do outro.
Não iremos acertar sempre, mas que tentemos.
Certa vez, uma pessoa me decepcionou. As atitudes dela me fizeram muito mal e eu me senti uma completa idiota por ter acreditado nela. Me senti infantil e boba o suficiente por ter me enganado tanto com alguém. Mas ao conversar com uma amiga, eu percebi que me sentindo assim, eu estava me culpando por um erro que não era meu, mesmo que tivesse impactado minha vida. Não era eu que tinha falhado como pessoa ao acreditar em outro ser humano, mas sim o outro que errou ao não calcular que suas atitudes atingiriam outro alguém. Eu não quero dizer que a gente tem que ser responsável pelo o outro. Mas devemos ter ciencia de atitudes que atingem a vida alheia. Não era eu a boba por ter acreditado naquilo que era me apresentado, mas o outro que enganava passando a imagem errada. Se alguém erra com você, o problema não está em você.
Dizer isso, não é deixar de admitir que atitudes egoístas também se fazem necessárias em nossas vidas. O nosso papel não é consertar pessoas. Mas, se podemos influenciar a vida, os sentimentos, as palavras e as atitudes de alguém que seja positivamente. Seu estilo de vida é uma mensagem que você passa ao mundo, não seria ótimo se essa mensagem fosse inspiradora?
Eu vi em um filme que “nossas digitais não se apagam das vidas que tocamos”. Quais as marcas você quer deixar no mundo?